Já ficou difícil morar no Campo Belo e não ter provado um dos bolos da Confeitaria Dona Glória. São mais de 40 sabores no cardápio, incluindo os famosos “mandioca com goiabada” e o tradicional “cenoura com cobertura de chocolate”.
O que pouca gente sabe é que a verdadeira dona Glória mora a exatos 3 mil quilômetros do Campo Belo. Com 97 anos, dona Ana Glória nunca foi de fazer bolos. Seu prato mais famoso era “Maria Isabel”, um tipo de galinhada comum em Nova Russas, cidade no interior do Ceará onde ainda vive. Com a visão já prejudicada pela idade, não é mais na beira do fogão onde ela passa a maior parte do tempo.
Foi o amor que sempre dedicou à família que inspirou a neta Elaine Espíndola, de 33 anos, a abrir uma confeitaria no Campo Belo com o nome da avó. A menina de Nova Russas que cresceu em uma cidade sem asfalto, costumava se reunir com as amigas na calçada para tocar violão e cantar forró. Filha do sanfoneiro Edilson Vieira, conhecido na região pela sua sanfona, ainda sente falta do arrasta-sandalha da cidade quente de onde veio.
Aos 18 anos, veio para São Paulo após se casar com um primo bem mais velho, situação comum para a região naquela época. Seguiram casados por sete anos até que o relacionamento terminou. Passou a trabalhar como auxiliar administrativa em uma escola. Já casada com seu atual esposo, ficava sozinha à noite enquanto ele trabalhava.
Foi na “cozinhaterapia”, como ela traduz sua relação com o forno, que ela descobriu uma companhia e profissão. Começou a vender bolos de pote na escola e para os pais dos alunos. O negócio foi crescendo até se tornar a confeitaria Dona Glória com a loja física no Campo Belo. Desde 2016, Elaine toca a empresa em parceria com a sua irmã e o marido, seu braço direito na confeitaria.
“Vejo um sonho se materializar e é com açúcar e com afeto, com mel, baunilha, cravo e canela que vou espalhando doses de amor na alma, no espírito e no corpo de cada ser humano,” celebra Elaine que tem feito sucesso nas casas da vizinhança com seus bolos recheados de amor.